🎶 Caminhando sem rumo, sem direção, eis que de repente algo chama a atenção.
Um lindo rio, água reluzente, mas em meio a sua beleza, algo brilha diferente.
Com um tronco puxou o que havia lhe encabulado e se assustou mais ainda com o que tinha encontrado.
Ouro, muito ouro em uma caixa de madeira.
O que antes preocupava, tornou-se brincadeira. 🎶
– Cada vez melhor, heim, Dante? Quem dera a música de ontem tivesse falando sobre mim! Hahaha – Disse Imalas, trazendo duas canecas de cerveja e sentando-se ao lado de seu amigo.
– Sorte do protagonista – Disse Dante, sorrindo, e deixando seu Alaúde de lado que deu lugar à bebida.
– Mas a minha preferida é a de Dofus . – Imalas em um gole já toma metade da caneca. – Matar um gigante sozinho não é fácil. Ainda mais usando apenas uma pedra. Aliás, Dante, como consegue compor tantas boas músicas? Boas histórias são necessárias e mal te vejo saindo dos arredores de Tedron.
– Gosto de conversar com as pessoas, Imalas. Grandes aventureiros já passaram e ainda passam por aqui. Basta saber reconhece-los.
– E como estão suas mãos? Sangraram novamente enquanto você tocava, né? Você tem que ver isso, cara, tem acontecido sempre. – Indagou Imalas.
– Pois é, mas não se preocupe. Elas saram rápido. – Disse Dante, se levantando.
Ele foi até o balcão da taverna e voltou com mais duas grandes canecas de cerveja, além do maior porco assado que seu amigo já tinha visto.


– Caramba! Isso não é um porco, é um búfalo! – Disse Imalas, espantado. – Dá pra alimentar a guilda inteira com isso. Eu tô chocado.
– Deleite-se, rapaz, hahaha.
– Achei que você tava apertado. Ia até oferecer pra pagar a rodada de hoje. – Estranha Imalas.
– Estão pagando melhor. – Dante pega o garfo. – Agora vamos comer, porque hoje só saímos daqui quando esse animal inteiro desaparecer.
– Isso dá boa música, heim? Hahaha. – Disse o amigo.
Naquele mesmo instante, um cavaleiro entra na taverna, vai até a mesa dos dois e interrompe a primeira garfada.
– Dante, precisamos conversar. – Disse o homem com um sério semblante.
– Parece que vou ter que fazer esse bicho sumir sozinho – Disse Imalas, erguendo as sobrancelhas.
Dante e o cavaleiro saem da taverna buscando privacidade.
– O que houve, Rob, você está bem? – Perguntou Dante, abraçando seu irmão.
– Sim, mas eu vou precisar de você de novo. Metade dos nossos cavalos morreram, perdemos um terço do nosso exército e o povo de Távira não tem o suficiente para nos dar suporte. A aliança tinha tudo para dar certo, mas fracassamos. Sem a sua ajuda, meu irmão, não teremos chances.
– Rob, isso é demais. Eu não posso. – Disse Dante, dando dois passos para trás. – Você sabe o que pode acontecer caso eu vá além do limite e isso envolve muita gente.
– Exatamente, Dante! – Rob se aproxima e põe a mão nos ombros do irmão. – Se você não nos ajudar, milhares vão morrer!


– Minhas mãos ainda não se curaram. – Dante as ergue e mostra as ataduras. – Eu já senti a presença dele novamente e fazer algo dessa magnitude pode trazê-lo ainda mais para perto.
– Sério? Achei que tinha se afastado. Ele fez alguma coisa? – Perguntou Rob, preocupado.
– Não, mas o sinto mais presente a cada música.
– Pare com isso então, Dante. Volte a tocar como fazia. Suas mãos não precisam sangrar para agradar os outros. Você é bom e sempre foi.
– Sim, eu tenho que parar, mas é difícil. Você sabe.
– Sim, e como. Mas irmão, cuide-se. – Rob o abraça novamente. – Esqueça o que te pedi. Eu preciso voltar, Távira é distante e estão aguardando por mim. Só espero poder vê-lo novamente, seja como for. E pare, por favor!
– Mas Rob, como você vai fazer? A batalha está tão perdida assim?
– Vamos dar um jeito. Já viramos o jogo outras vezes com e sem a sua ajuda. Temos outras alternativas e faremos dar certo! Vim até você, pois a situação é crítica, mas não posso colocar sua vida em risco.
– Eu posso dar um jeito, talvez não influenciando em todo o cenário, mas pelo menos tomando conta de você.
– Não! Eu disse para esquecer. Eu volto, você me conhece, hahaha.
– Tudo bem, irmão, eu confio em você. Estou te esperando. Volte!
Dante passou aquela noite em claro, pensando, e também o resto do dia seguinte.
As horas se passaram e a taverna estava cheia, com muitos esperando suas belas músicas, como de praxe.


– E aí, Dante, você tá bem? Você sumiu. Fiquei preocupado. Aliás, o porco tava maravilhoso. Tô digerindo ele até agora.
– Disse Imalas, como sempre, com uma caneca de cerveja na mão.
Dante fica em silêncio, com um semblante triste e preocupado. Pega seu alaúde e ainda com as mãos machucadas, se prepara para tocar. Imalas apenas observa, sem reação à atitude do amigo em ignorá-lo.
Uma melodia calma ecoa das cordas do instrumento em contraste com a violência das palavras. 🎶 Marcharam preocupados e sem esperança, mas mal sonhavam com o desfecho daquela dança.
A força de dez em apenas um guerreiro, junto à carta na manga, a emboscada no desfiladeiro.
O caminho era estreito, poucos passavam, e na medida em que avançavam, cabeças rolavam.
No horizonte, no topo do monte, os magos de Carionte. Surgiram de surpresa cavalgando com a realeza.
Ifrytar! Que bela magia. Para um lado, alegria, para o outro, agonia.
A batalha findou e o povo comemorou. O fogo queimou o que deles restou. 🎶
Todos pararam para ouvir, mas se espantaram com a cena. Dante tocou por alguns minutos e em todos eles suas mãos sangraram continuamente.
Uma poça de sangue se formou ao redor dos seus pés e no mesmo instante em que ele parou, uma forte ventania invadiu a taverna pelas janelas que batiam fazendo um barulho muito alto. Uma presença foi percebida por todos, mas somente Dante sabia do que se tratava. Aquilo se aproximou, e dessa vez mais intensamente do que nunca.
– Continua no próximo post –

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