Hob e Gob passeando pelos arredores de sua vila avistam dois seres humanos caminhando para o único lugar que não deveriam.
– Hob! Olha isso! Dois humanos!
– Eu vi! E pelo visto são guerreiros. – Afirmou Hob.
– Como você sabe disso?
– Não percebeu as espadas em suas costas e o tipo de armadura pesada que estão usando?
– Tá, mas o que isso os impede de soltar aquela bola de fogo que tirou a vida do nosso primo Gunk esses dias? – Questionou Gob.
– Guerreiros não soltam magias, Hob. Sua especialidade é combate corpo a corpo usando armas brancas.
– Acho melhor pararmos de discutir isso e pensarmos no que fazer com esses dois antes que cheguem à nossa vila e matem todos seja lá usando o que for.
– Nossa única chance é um ataque surpresa. Não conseguiríamos sair vitoriosos de um duelo justo – Disse Hob.
– Eu tô com meu arco aqui. Uma flechada no pescoço resolveria tudo! – Disse Gob, empolgado.
– Você consegue ver alguma abertura na armadura deles, Gob? Estão totalmente protegidos. Precisamos pensar em outra coisa.
– Podíamos fazer como fizemos com o pássaro gigante ou aquele troll. Eles não aguentaram nem 10 segundos! Hahaha
– Gob, eles eram mais estúpidos que você. Além de que estávamos em grupo e eles não possuíam armas, muito menos inteligência.
– Você só complica, Hob. O que será que os tios Krig e Krag fariam? Aliás, será que não é melhor chamá-los?
– Não há tempo para isso. Logo os humanos vão chegar à primeira colina e as crianças estão brincando por lá, além de que os tios saíram em uma expedição em busca de materiais para expandirmos o vilarejo.
– Meu sonho é ser como os tios, Hob. Ser forte o suficiente para poder proteger todos sem temer ninguém e tomar decisões rapidamente sem ficar desesperado pensando no pior!
– Calma. Nós somos fortes, Gob. Lembra quando matamos aqueles dois humanos na cidade? Esse arco que você usa era de um deles, aliás.
– É, Hob, mas eles estavam brigando e um já tinha praticamente sido morto pelo outro. Só terminamos o serviço.
– Bom, eles saíram mortos e nós estamos vivos. As circunstâncias não mudam esse fato.
– É…
Os humanos continuavam se aproximando. Hob e Gob esgueiravam-se por entre as árvores enquanto discutiam o plano para atacá-los. O tempo ia encurtando e precisavam decidir o que fazer o quanto antes, pois uma tragédia estaria para acontecer caso falhassem.
– Se quisermos fazer parte do alto escalão da nossa tribo, isso é tarefa simples, Gob. Não se esqueça que essas adagas que usamos são presentes dos tios que foram forjadas a partir de um minério muito raro encontrado no fundo do poço que só a nossa vila tem.
– É verdade, Hob. Quantos humanos eles mataram com elas, né? O tio Krig já venceu vários deles no um contra um. Ele já superou até as bolas de fogo daquele atrapalhado que parecia estar perdido, lembra?
– Sim! Não podemos hesitar. Além da nossa reputação, a vida das crianças e de toda a vila está em jogo. Nós podemos, Gob. Não vamos falhar!
– Os mataremos, levaremos os corpos para a vila e os queimaremos na fogueira em comemoração à nossa promoção no exército! Com certeza estaremos na próxima expedição ao lado dos tios!
Sim, Gob! Também tenho certeza disso! Vamos atacá-los por trás. Não podemos errar o golpe, senão é o nosso fim, entendeu?
– Entendi!
Hob e Gob se aproximam lentamente por trás dos humanos, mas Gob pisa em um galho seco e permite que sua presença seja percebida. Os guerreiros olham para trás já sacando as espadas, os dois goblins olham assustados para o tamanho daquelas armas que claramente eram maiores que eles e sem tempo para pensar em uma reação, um tem o estômago atravessado enquanto assiste o outro ter sua cabeça decepada.
– Essa floresta é cheia de goblins mesmo, né? Já é o quinto que matamos. Algo de interessante dessa vez?
– Não, somente um arco velho e duas adagas enferrujadas que talvez consigamos trocar por uns copos de cerveja na taverna hoje à noite.
– Bom, já é alguma coisa.
Independente da história de cada ser vivo nesse mundo, as proporções de força são bem claras. Exceções existem, mas esse não foi o caso. Foi o fim dos sonhos de Hob e Gob, talvez daquelas crianças e também daquele vilarejo. O que aconteceu com o resto deles? Bom, tentem adivinhar. Goblins, quando em grupo, podem ser bem perigosos. Talvez eles tenham conseguido se salvar. Talvez.